Pessoal,
dia 15, realizamos nosso 46º Debate. Havia 17 confrades presentes. E algumas decisões foram tomadas. Seguem abaixo:
1. Em virtude de a todo momento ser problematizado o fato de as três sedes (Caxias, PoA, RJ) terem de discutir o mesmo livro, a fimd e assegurar unidade, PoA (como casa-mãe) decidiu que a unidade deve ser mantida através da manutenção de mesmo horário e data, além de sempre o livro escolhido ser de LIJ. Porém, deliberou-se pela liberação da indicação. Ou seja, cada sede tem liberdade de escolha de sua leitura, não mais dependendo uma da escolha da outra.
2. Porto Alegre definiu suas duas próximas leituras, que as sedes-filiais se quiserem podem adotar, em virtude de não saberem no último encontro de tal tomada de decisão:
47ª ENCONTRO - 15/03/2011
LIVRO: COMO VIVER PARA SEMPRE, de COLIN THOMPSON
coordenação: NÓIA KERN
48º ENCONTRO - 19/04/2011 (ENCONTRO ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO)
LIVRO: PÉ DE PILÃO (E OUTROS POEMAS), DE MARIO QUINTANA
Coordenação: LIZA CALDEIRA
3. Pede-se aos confrades sugestões para o encontro de celebração do nosso 4º Aniversário. Liza sugeriu um sarau no sábado seguinte, à tarde, como os que já realizamos. Marô e eu estamos, junto à BibliotecaLucília Minsen, organizando um seminário de leitura.
Abraços
sábado, 19 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Ainda Stuart
Ontem, dia 15 de fevereiro, 17 pessoas, em pleno verão, estavam lá na Letras & Cia para o 46º Encontro da Confraria Reinações. Com certeza, mergulhar no universo da LIJ e partilhar ideias e emoções de leitura é o que mantém essa gente unida, acreditando na força artística que os textos produzidos para crianças e adolescentes contêm. A bola da vez era o Stuart Little, de E.B.White, texto publicado originalmente em 1945.
Texto bom de ler. Início meio pueril, centrado nas aventuras que Stuart enfrenta no interior da sua própria casa, acaba, para mim, tomando dimensões metafísicas, quando o pequeno camundongo sai para o mundo á procura de Margalo.
Muitas ideias interessantes foram apresentadas e discutidas: o caráter de humor do texto, a representação do protagonista como um rato (o diferente ), a adaptação do universo familiar ao ser ímpar, os episódios pouco desenvolvidos, a busca de Stuart pelo Norte, o presença do realismo mágico, entre outros.
Marô Barbieri, comentando sobre o livro, após o debate disse: "Sabe que gostei mais do livro, após ouvir as impressões de leituras dos confrades?" Esse, com certeza, é o bom da Reinações: possibilitar a troca, apresentar diferentes olhares, acaba significando mais o livro e a leitura.
Surpresa boa nesse encontro também foi a visita do ilustrador Ângelo Abu, que contribuiu com a discussão.
E, confrades, vamos nos preparando para o próximo debate e para a celebração de nossos quatro anos.
Texto bom de ler. Início meio pueril, centrado nas aventuras que Stuart enfrenta no interior da sua própria casa, acaba, para mim, tomando dimensões metafísicas, quando o pequeno camundongo sai para o mundo á procura de Margalo.
Muitas ideias interessantes foram apresentadas e discutidas: o caráter de humor do texto, a representação do protagonista como um rato (o diferente ), a adaptação do universo familiar ao ser ímpar, os episódios pouco desenvolvidos, a busca de Stuart pelo Norte, o presença do realismo mágico, entre outros.
Marô Barbieri, comentando sobre o livro, após o debate disse: "Sabe que gostei mais do livro, após ouvir as impressões de leituras dos confrades?" Esse, com certeza, é o bom da Reinações: possibilitar a troca, apresentar diferentes olhares, acaba significando mais o livro e a leitura.
Surpresa boa nesse encontro também foi a visita do ilustrador Ângelo Abu, que contribuiu com a discussão.
E, confrades, vamos nos preparando para o próximo debate e para a celebração de nossos quatro anos.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
sábado, 15 de janeiro de 2011
Palavra de Confrade 15 - Caio Riter
Caio Riter é Bacharel em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS, e licenciado em Letras - Língua Portuguesa e Literaturas, pela Faculdade Porto-Alegrense de Educação, Ciências e Letras - FAPA/RS; é Mestre e Doutor em Literatura Brasileira, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É professor de Língua Portuguesa no Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, em Porto Alegre. Ministra oficinas literárias de narrativa no SINTRAJUFE-RS, desde 1999. Tem diversos livros infantis e juvenis publicados, muitos deles premiados (Açorianos, AGES, Barco a Vapor e outros) e integrantes de catálogos internacionais (Bolonha e White Ravens).1. Em que aspectos, na sua opinião, a literatura infantojuvenil reina?
Escrever para crianças e adolescentes é, caso nosso texto vá em direção aos seus corações, certeza de plantar semente em solo fértil. A literatura infantojuvenil, neste sentido, acaba sendo de fundamental importância na construção de pessoas que curtam ler. Assim, é ela que determina os alicerces do leitor, sendo pois senhora absoluta dos caminhos de muita gente que, graças à leitura de um bom texto em sua infância ou em sua adolescência, acabou tornando-se pessoa que não consegue viver apartada das palavras literárias. Há, claro, a necessidade também de não subestimar o leitor: quando a literatura infantojuvenil desperta prazeres estéticos, aí sim, ela reina.
Escrever para crianças e adolescentes é, caso nosso texto vá em direção aos seus corações, certeza de plantar semente em solo fértil. A literatura infantojuvenil, neste sentido, acaba sendo de fundamental importância na construção de pessoas que curtam ler. Assim, é ela que determina os alicerces do leitor, sendo pois senhora absoluta dos caminhos de muita gente que, graças à leitura de um bom texto em sua infância ou em sua adolescência, acabou tornando-se pessoa que não consegue viver apartada das palavras literárias. Há, claro, a necessidade também de não subestimar o leitor: quando a literatura infantojuvenil desperta prazeres estéticos, aí sim, ela reina.
2. Dos 44 encontros que a Confraria Reinações – Porto Alegre promoveu,qual foi o mais marcante para você? Por quê?
Muitos foram especiais. Mas, como a pergunta pede apenas um, ficarei com aquele em que debatemos A história sem fim, de Michael Ende. Um deslumbramento total, texto em que a fantasia e o amor pelas palavras são explorados com requinte de quem sabe o que está fazendo. Livro que é uma declaração de amor à palavra, ao livro, ao fazer literário, à medida que problematiza as fronteiras entre real e ficção, além de expressar de forma simbólica até que ponto um livro pode atuar e transformar alguém.
3. Depois de ter publicado já tantos livros para crianças e adolescentes o que ainda te motiva a continuar escrevendo? Quais desafios você ainda encontra no ato de escrever?
Escrever para seres em formação tem seu tanto de responsabilidade, com certeza. Hoje, creio que minha maior motivação é a possibilidade que a escrita me dá de repensar minha vida, de repensar o Caio-criança-adolescente que fui. Há um dado de nostalgia, de tentativa de retomada de um tempo que não volta mais, mas que, através da escrita, pode ser reinvenção.
Desafios? Todos. Sobretudo aquele de tentar não me repetir, mas ao mesmo tempo de criar aquilo a que chamam de estilo, ou seja, que o leitor possa reconhecer uma dicção própria no meu escrever, mesmo quando enveredo por searas ainda não exploradas.
4. Como você vê a atual produção literária destinada a crianças e jovens no Brasil?
O momento é rico. Muita gente produzindo, muitas editoras publicando, motivadas, creio, pelos planos de compra do Governo Federal. Porém, neste universo amplo, há joio e trigo. Há muito livro paradidático disfarçado de literatura. Há muito texto que se distancia do público-alvo, quer por minimizar sua linguagem, quer por ficar além de suas expectativas. É interessante, também perceber, que há alguns “gêneros”: intimismo, aventura, fantasia. Alguns autores mergulham no íntimo do jovem e da criança, buscando problematizar seus conflitos; outros se interessam muito mais por criar aventuras, sem qualquer preocupação em relação ao universo infanto-juvenil, além de uma sucessão de peripécias heroicas do protagonista. A mim, como leitor e escritor, interessam mais textos que investigam e exploram o mundo das crianças e dos adolescentes.
5. O que não pode faltar em um texto infantojuvenil?
Não pode faltar aquilo que eu dizia antes: investigar o universo do jovem, suas alegrias, suas encucações, seus conflitos, enfim. Além de, claro, um mínimo trabalho estético com a palavra. Afinal, Literatura é a arte da palavra.
6 . Que dica de leitura você daria aos confrades da Reinações? Por quê?
Muito já lemos na Reinações, mas muito ainda há por ser partilhado. Assim, indico Aldabra, a tartaruga que amava Shakespeare, de Silvana Gandolfi, Ed. Rocco, que narra as aventuras de Elisa e sua avó, envolvendo temas polêmicos, como a velhice e a morte, através da magia da leitura de Shakespeare. Vale a pena mesmo.
7 . Que palavra de Confrade você gostaria de conhecer mais?
Eu gostaria de conhecer a palavra da confrade Maria Inês Borne, professora empolgada com a leitura, que faz um trabalho bem legal em sua escola em Charqueadas-RS.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Próximo debate: O ladrão de raios
O autor:
Rick Riordan nasceu em 1964, em San Antonio, Texas, Estados Unidos, onde mora com a mulher e dois filhos. Durante quinze anos ensinou inglês e história em escolas públicas e particulares de São Francisco. Além da série Percy Jackson e os Olimpianos, publicou a premiada série de mistério para adultos Tres Navarre.
A série Percy Jackson:
Percy Jackson e os Olimpianos é uma série de cinco livros juvenis de aventura de Rick Riordan, baseada na mitologia grega. O Protagonista é Percy Jackson, que descobre ser um semi-deus, filho de Poseidon, deus do mar.
Rick Riordan nasceu em 1964, em San Antonio, Texas, Estados Unidos, onde mora com a mulher e dois filhos. Durante quinze anos ensinou inglês e história em escolas públicas e particulares de São Francisco. Além da série Percy Jackson e os Olimpianos, publicou a premiada série de mistério para adultos Tres Navarre.
A série Percy Jackson:
Percy Jackson e os Olimpianos é uma série de cinco livros juvenis de aventura de Rick Riordan, baseada na mitologia grega. O Protagonista é Percy Jackson, que descobre ser um semi-deus, filho de Poseidon, deus do mar.
O filme:
Em 2010, o primeiro livro da série O ladrão de raios foi adaptado para o cinema. Abaixo link para o trailler.
http://www.youtube.com/watch?v=xXWBNNPe4NI
Volumes da série:
The Lightning Thief (O Ladrão de Raios)
The Sea of Monsters (O Mar de Monstros)
The Titan's Curse (A Maldição do Titã)
The Battle of the Labyrinth (A batalha do labirinto)
The Last Olympian (O Último Olimpiano)
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Um olhar sobre A grande questão
No 44º encontro da REINAÇÕES, que debateu a obra de Wolf Erlbruch, os confrades ficaram bem curiosos ao perceberem o tanto de anotações que o confrade João Carlos Rodrigues havia feito nas páginas do seu exemplar de A grande questão. Pois o João aceitou o convite para partilhar suas ideias conosco. Seguem abaixo. A GRANDE QUESTÃO
Está no centro da temática um menino, que é orientado por 22 interlocutores sobre a razão de ele ter vindo ou estar na terra, no mundo. A temática é sobre a vida, sobre o existencial com um fio condutor centrado na dúvida. O tema mais objetivo são as relações afetivas, o amor que alavanca essas relações.
Nesse sentido, algumas manifestações são conclusivas; outras, exclamativas. Assim, falam:
1. conclusivamente: beijar as nuvens, o piloto; amar a vida, a morte; nos amamos, os pais; amar a si mesmo, a irmã; receber carinho, o coelho; te amo, a mãe.
2. ou, exclamativamente: mimar, a avó; cantar sua canção, o passarinho.
As demais falas abrem um leque de focos, de assuntos, de fazeres, de dúvidas: festejar seu aniversário, irmão; ronronar ou pelos ratos, o gato; comer bem, comilão; contar, três; obedecer, soldado; latir ou uivar, cachorro(acha); navegar, navegador; para estar, a pedra; ser paciente, jardineiro; confiar, cego; sem ideia, pato; ir à luta, lutador.
Então, os temas passam pela ideia de festa, descanso, alimento, conhecimento, arte (cantar sua canção), obediência, defesa, preocupação, viagem (pelo mar, ar), estar simplesmente, paciência, confiança, luta e sem consciência;
Os agentes são humanos (menino, irmão, irmã, pais, avó, comilão, soldado, navegador, aviador, jardineiro, cego, lutador); animais (gato, cachorro, pato, coelho, passarinho); mineral (pedra); morte. Falam os reinos animal e mineral. O reino vegetal não tem voz.
O autor conclui, dizendo ao menino: “Quando você crescer, vai encontrar outras repostas para a grande questão.” Segue, no projeto gráfico, uma folha pautada, em branco, com indicadores: Datas ............ Respostas
Trata-se de respostas à questão: Por que viemos ao mundo? segundo o tradutor. Sim, quando falam o gato, os pais, a mãe e o jardineiro: ideia de origem.
Contudo, creio que as demais questões indicam ‘para quê?’. Não buscam a ‘origem’, mas o ‘estar’, tanto que são introduzidas com a preposição ‘para’, quase todas.
Outras observações:
1. O menino deve aprender a contar até três. Por que três? O que representa o três?
2. Há duas pessoas ridicularizadas: o comilão, muito bem vestido, tem grande barriga, é muito gordo, usa gravata de tope, está feliz e aparece na página anterior ao três; e o soldado na página seguinte. Coincidência?
3. Só duas pessoas expressam alegria: a avó e o comilão.
4. Estar no ‘mundo’ é alusão do gato e do jardineiro.
5. Estar ‘na terra’ é alusão do irmão do menino. O cachorro também refere ‘estamos na terra’, no plural.
6. O cachorro sentado manifesta dúvida: ’eu acho’.
7. Os pais falam no plural e o cachorro também, mas o fiel escudeiro do homem traz o menino para a sua natureza: ‘Estamos aqui para latir, eu acho. E, às vezes, uivar para a Lua. ’
8. A história transita da concepção à morte emanante. Há vida? Então a morte está e com uma fala lapidar: “Você está aqui para amar a vida”.
9. As páginas do livro não são numeradas, pois a ordem da história não é linear. Ao iniciar a leitura, parece faltar algo, antes. O algo está depois.
10. O menino é o epicentro da GRANDE QUESTÃO: a avó quer mimá-lo; os pais, que o conceberam, falam lá na frente; a mãe mima a orelha dele, no colo; a irmã depõe; cinco velas estão no bolo e o irmão fala sobre o aniversário. Por tanto, uma família: avó, pais, dois irmãos e uma irmã.
11. Há os animais domésticos: o cachorro, o gato, o pato e o coelho. Todos simpáticos. Um jardineiro completa o ambiente doméstico.
12. Para além do lar, o passarinho, o padeiro, o comilão, o cego, o lutador (de preto) e o soldado (a perna esquerda soldada?) fazem suas colocações; o aviador e o navegador vasculham espaços. Uma pedra e a MORTE completam os encantos do cenário.
13. A pedra diz: se está aqui porque se está aqui. A morte recomenda ‘... amar a vida’. Vestida de camisolão bege, com 11 manchas redondas em amarelo, observa no horizonte uma abelha voar para o alto e para longe, com tons de bege e amarelo no corpo, asas azuis e cabeça preta.
14. A história percorre um tempo: inicia com o amor dos pais e termina com o sopro de cinco velas, no aniversário do menino.
15. As mulheres aparecem na condição de afeto: irmã, mãe, avó.
16. O pato, embora sua artilharia terra-mar-ar não tem ideia de nada. Confirma o ditado popular: ’Me tiras para pato?’.
17. ‘Para cantar a sua canção’ diz o passarinho. Interpreto como ‘para construir a sua vida’, no mundo em construção.
18. ‘A GRANDE QUESTÃO’ são dúvidas existenciais. Fisga maciamente a origem das coisas, interroga o sentido delas, remete à reconstrução e lembra a morte. Uma reflexão sobre a vida.
19. É uma abordagem sócio-política-cultural (...) e fundamentalmente filosófica, através da arte literária e da ilustração.
20. Tudo aparentemente simples: no visual, na beleza, na rapidez e absolutamente profundo.
Então, os temas passam pela ideia de festa, descanso, alimento, conhecimento, arte (cantar sua canção), obediência, defesa, preocupação, viagem (pelo mar, ar), estar simplesmente, paciência, confiança, luta e sem consciência;
Os agentes são humanos (menino, irmão, irmã, pais, avó, comilão, soldado, navegador, aviador, jardineiro, cego, lutador); animais (gato, cachorro, pato, coelho, passarinho); mineral (pedra); morte. Falam os reinos animal e mineral. O reino vegetal não tem voz.
O autor conclui, dizendo ao menino: “Quando você crescer, vai encontrar outras repostas para a grande questão.” Segue, no projeto gráfico, uma folha pautada, em branco, com indicadores: Datas ............ Respostas
Trata-se de respostas à questão: Por que viemos ao mundo? segundo o tradutor. Sim, quando falam o gato, os pais, a mãe e o jardineiro: ideia de origem.
Contudo, creio que as demais questões indicam ‘para quê?’. Não buscam a ‘origem’, mas o ‘estar’, tanto que são introduzidas com a preposição ‘para’, quase todas.
Outras observações:
1. O menino deve aprender a contar até três. Por que três? O que representa o três?
2. Há duas pessoas ridicularizadas: o comilão, muito bem vestido, tem grande barriga, é muito gordo, usa gravata de tope, está feliz e aparece na página anterior ao três; e o soldado na página seguinte. Coincidência?
3. Só duas pessoas expressam alegria: a avó e o comilão.
4. Estar no ‘mundo’ é alusão do gato e do jardineiro.
5. Estar ‘na terra’ é alusão do irmão do menino. O cachorro também refere ‘estamos na terra’, no plural.
6. O cachorro sentado manifesta dúvida: ’eu acho’.
7. Os pais falam no plural e o cachorro também, mas o fiel escudeiro do homem traz o menino para a sua natureza: ‘Estamos aqui para latir, eu acho. E, às vezes, uivar para a Lua. ’
8. A história transita da concepção à morte emanante. Há vida? Então a morte está e com uma fala lapidar: “Você está aqui para amar a vida”.
9. As páginas do livro não são numeradas, pois a ordem da história não é linear. Ao iniciar a leitura, parece faltar algo, antes. O algo está depois.
10. O menino é o epicentro da GRANDE QUESTÃO: a avó quer mimá-lo; os pais, que o conceberam, falam lá na frente; a mãe mima a orelha dele, no colo; a irmã depõe; cinco velas estão no bolo e o irmão fala sobre o aniversário. Por tanto, uma família: avó, pais, dois irmãos e uma irmã.
11. Há os animais domésticos: o cachorro, o gato, o pato e o coelho. Todos simpáticos. Um jardineiro completa o ambiente doméstico.
12. Para além do lar, o passarinho, o padeiro, o comilão, o cego, o lutador (de preto) e o soldado (a perna esquerda soldada?) fazem suas colocações; o aviador e o navegador vasculham espaços. Uma pedra e a MORTE completam os encantos do cenário.
13. A pedra diz: se está aqui porque se está aqui. A morte recomenda ‘... amar a vida’. Vestida de camisolão bege, com 11 manchas redondas em amarelo, observa no horizonte uma abelha voar para o alto e para longe, com tons de bege e amarelo no corpo, asas azuis e cabeça preta.
14. A história percorre um tempo: inicia com o amor dos pais e termina com o sopro de cinco velas, no aniversário do menino.
15. As mulheres aparecem na condição de afeto: irmã, mãe, avó.
16. O pato, embora sua artilharia terra-mar-ar não tem ideia de nada. Confirma o ditado popular: ’Me tiras para pato?’.
17. ‘Para cantar a sua canção’ diz o passarinho. Interpreto como ‘para construir a sua vida’, no mundo em construção.
18. ‘A GRANDE QUESTÃO’ são dúvidas existenciais. Fisga maciamente a origem das coisas, interroga o sentido delas, remete à reconstrução e lembra a morte. Uma reflexão sobre a vida.
19. É uma abordagem sócio-política-cultural (...) e fundamentalmente filosófica, através da arte literária e da ilustração.
20. Tudo aparentemente simples: no visual, na beleza, na rapidez e absolutamente profundo.
domingo, 28 de novembro de 2010
domingo, 21 de novembro de 2010
Palavra de Confrade 14 - Marô Barbieri
1. Em que aspectos, na sua opinião, a literatura infanto-juvenil reina?
A literatura para jovens é mais uma das consequências da valorização da criança no mundo moderno. Descobriu-se que a criança, em suas características e especificidades, pode tornar-se leitor e consumidor de livros muito mais cedo do que se pensava. E que há formas de contar histórias que podem favorecer esta leitura.
Esta nova forma, distanciando-se dos relatos não literários dos antigos contos maravilhosos, passou a exigir dos escritores uma nova perspectiva e um compromisso efetivo com a arte da palavra. E vários deles investiram neste novo tipo de texto. Que nem é tão novo assim, mas que exige cuidado, sensibilidade e – principalmente – respeito à criança leitora. Um texto claro, luminoso, inventivo e sem limites para a imaginação, no caso das histórias fantásticas para os menores, e de um retrato sensível, reinventado da realidade, para o adolescentes.
Talvez por isso a literatura para jovens tenha adquirido tanta importância no cenário cultural contemporâneo.
2. Dos 43 encontros que a Confraria Reinações – Porto Alegre promoveu, qual foi o mais marcante para você? Por quê?
O que mais me tocou foi aquele em discutimos O gato malhado e a andorinha sinhá, de Jorge Amado, apresentado pelo colega Hermes Bernardi Jr. Me encantou o contato com uma faceta pouco conhecida do celebrado escritor: um texto belíssimo, extremamente qualificado, poético, sensível e – ao mesmo tempo – cheio de verdade.
3. O que é, na sua opinião, qualidade quando se pensa textos que se destinam à criança e/ou ao adolescente?
Vou transcrever aqui um texto que mandei para o livro da escritora Ieda de Oliveira : A qualidade no texto de literatura infantil e juvenil – a palavra do escritor
“(...)
O texto literário está em outra dimensão da linguagem, não basta escrever com clareza e precisão. Outra relação é necessária: o texto literário exige compromisso. Um compromisso que implica em uma séria relação com a estética, com a construção intencional, laboriosamente estruturada, com a beleza da sonoridade, da cadência, da fluidez.
Literatura é uma arte que usa como material de trabalho a palavra. Portanto, para escrever literatura é preciso amar a palavra. É preciso conhecê-la muito bem, é preciso lidar com ela com a espontaneidade que só uma profunda convivência permite.
(...)
Neste novo século, a produção de literatura para jovens vem tomando esta feição. Escritores e ilustradores tornaram-se mais competentes, mais cuidadosos e mais qualificados. A cada nova história publicada, aumenta o desafio da descoberta. A cada poema que surge, a cada nova voz, timbre, nuance, mais aumenta a responsabilidade do escritor.
Porque uma obra literária, mesmo que feita para iluminar o universo infantil e juvenil, deve ser, antes de tudo, uma obra feita para qualquer leitor, um peça de arte, onde a qualidade do trabalho com a palavra não é apenas obrigatória, é a alma mesma do texto e da relação que se vai construir com o leitor.
Portanto, quando a palavra é trabalhada, amada e respeitada, o resultado é a qualidade do texto.”
4. Você é escritora de narrativas e de poesia. O seu processo de escrita é semelhante em cada gênero?
Certamente não, mas sem desfazer da construção narrativa. Na poesia, a exigência é maior. Trabalha-se com um nível alto de abstração e as habilidades linguísticas do leitor precisam ser constantemente desafiadas. O grande lance é construir este desafio com a beleza e a economia que a poesia requer.
Mesmo o poema mais ingênuo e simples não prescinde de talento e cuidado.
5. Dizem que a nascente de um leitor está na capacidade dos adultos que o cercam de contar histórias. Qual é, afinal de contas, a importância da contação de histórias na pré-história de um leitor?
A contação de histórias sempre foi o berço de bons leitores. Atualmente o papel da narrativa oral, tão importante na construção de um imaginário rico e variado, quase não existe nas famílias. Por isso a importância do recomeço dos grupos de contadores nas casas, nas escolas, nas comunidades, na rua, nas praças.
É preciso refazer o caminho da fantasia pela voz do contador. Porque de uma coisa não há dúvida: todo mundo gosta de ouvir uma boa história!
6 . Que dica de leitura você daria aos confrades da Reinações? Por quê?
Ler, ler e ler! Por que só assim a gente vivencia esta aventura.
Mas que já querem uma indicação de livro, recomendo A mentiras de Paulinho, de Fernanda Lopes de Almeida – Editora Ática, que já ultrapassou a 20ª tiragem.
Na sua simplicidade, o texto de Fernanda fala exatamente sobre a literatura e sobre quem a faz.
7. Que palavra de Confrade você gostaria de conhecer mais?
Me encantaria saber mais sobre o nosso coordenador/chefe, professor, escritor, agitador cultural, meu amigo, Caio Riter.
sábado, 20 de novembro de 2010
Notícias da Reinações
Pessoal, alguns avisos:
1. O pessoal do RJ escolheu dois livros de Wolf Erlbruch como leitura-debate de dezembro: A grande questão e O pato, a morte e a tulipa (sobre esse há algumas informações abaixo). A editora é a Cosac Naify. A Artes e Ofícios distribui, se comprado direto dela consegue-se descontos de 25%. Se alguém quiser, posso providenciar, mas ainda não sei o valor.
2. Alguém se habilita a coordenar?
3. Porto Alegre optou em antecipar seu encontro em virtude da proximidade das festas natalinas. Nosso encontro será no dia 14.12. RJ seguirá no dia 21. E Caxias? Fecha com a nave-mãe ou mantém 21? Sintam-se livres pra decidir.
4. A leitura escolhida pelo pessoal de PoA para janeiro é O ladrão de raios, de Rick Riordan, Ed. Intríseca. Coordenação em PoA: Christian David
Abraços
O pato, a morte e a tulipa - Wolf Erlbruch
Edição de 2009
Editora Cosac Naify
Sinopse:
Prêmio Hans Christian Andersen pelo conjunto da obra, o alemão Wolf Erlbruch dá sequência, neste lançamento, às suas inquietações sobre o nosso lugar no mundo. Se em A grande questão procurava respostas para "por que viemos ao mundo?", em O pato a morte e a tulipa questiona "para onde vamos" por meio de uma amizade incomum. Se dizem que a morte nunca atrasa, o autor nos mostra que, ao conhecer e se encantar com um pato, ela perde a noção do tempo e até desfruta um pouquinho da vida. O pato a ensina a mergulhar no lago, subir em árvores e tirar uma soneca. E onde a tulipa entra nesta história? A resposta cabe ao leitor.
1. O pessoal do RJ escolheu dois livros de Wolf Erlbruch como leitura-debate de dezembro: A grande questão e O pato, a morte e a tulipa (sobre esse há algumas informações abaixo). A editora é a Cosac Naify. A Artes e Ofícios distribui, se comprado direto dela consegue-se descontos de 25%. Se alguém quiser, posso providenciar, mas ainda não sei o valor.
2. Alguém se habilita a coordenar?
3. Porto Alegre optou em antecipar seu encontro em virtude da proximidade das festas natalinas. Nosso encontro será no dia 14.12. RJ seguirá no dia 21. E Caxias? Fecha com a nave-mãe ou mantém 21? Sintam-se livres pra decidir.
4. A leitura escolhida pelo pessoal de PoA para janeiro é O ladrão de raios, de Rick Riordan, Ed. Intríseca. Coordenação em PoA: Christian David
Abraços
O pato, a morte e a tulipa - Wolf Erlbruch
Edição de 2009
Editora Cosac Naify
Sinopse:
Prêmio Hans Christian Andersen pelo conjunto da obra, o alemão Wolf Erlbruch dá sequência, neste lançamento, às suas inquietações sobre o nosso lugar no mundo. Se em A grande questão procurava respostas para "por que viemos ao mundo?", em O pato a morte e a tulipa questiona "para onde vamos" por meio de uma amizade incomum. Se dizem que a morte nunca atrasa, o autor nos mostra que, ao conhecer e se encantar com um pato, ela perde a noção do tempo e até desfruta um pouquinho da vida. O pato a ensina a mergulhar no lago, subir em árvores e tirar uma soneca. E onde a tulipa entra nesta história? A resposta cabe ao leitor.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
domingo, 31 de outubro de 2010
CONFRADES NA FEIRA
Pessoal,
muitos confrades estão envolvidos com lançamentos e mesas na Feira. Estou enviando material recebido dos confrades. Vamos prestigiar a confrariada fazendo pelo livro e pela leitura. Abraços
SIMONE SAUERESSIG
DIA 02/11 - 19h 30min - Mesa: A ficção a serviço da memória
20h 30 min - Autógrafo Aurum Domini - Praça de autógrafos
CAIO RITER
Dia 06/11 - 18h - Autógrafos - Praça de autógrafos (livros: O tesouro iluminado (ilustrado pela confrade Martina Schreiner) e O outro passo da dança.
SERGIO NAPP
Dia 05/11 - 19 h - Autógrafos Aqui dentro há um longe imenso - Ducha das letras
ZILÁ MESQUITA
DIA 09/11 - 19 h - Mesa Professores leem Clarice - Biblioteca do Cais
DILAN CAMARGO
DIA 07/11 - 16h - Autógrafos Diário sem data de uma gata - Deck dos autógrafos
DIA 14/11 - 18h30min - Autógrafos Poeplano - Território das escolas
JACIRA FAGUNDES
DIA 04/11 - 19 h - Mania de gavetas (autógrafos) - Memorial do RS -
DIA 11/11 - 17h - Bruxalisa e Lagartixa - Ducha das letras
muitos confrades estão envolvidos com lançamentos e mesas na Feira. Estou enviando material recebido dos confrades. Vamos prestigiar a confrariada fazendo pelo livro e pela leitura. Abraços
SIMONE SAUERESSIG
DIA 02/11 - 19h 30min - Mesa: A ficção a serviço da memória
20h 30 min - Autógrafo Aurum Domini - Praça de autógrafos
CAIO RITER
Dia 06/11 - 18h - Autógrafos - Praça de autógrafos (livros: O tesouro iluminado (ilustrado pela confrade Martina Schreiner) e O outro passo da dança.
SERGIO NAPP
Dia 05/11 - 19 h - Autógrafos Aqui dentro há um longe imenso - Ducha das letras
ZILÁ MESQUITA
DIA 09/11 - 19 h - Mesa Professores leem Clarice - Biblioteca do Cais
DILAN CAMARGO
DIA 07/11 - 16h - Autógrafos Diário sem data de uma gata - Deck dos autógrafos
DIA 14/11 - 18h30min - Autógrafos Poeplano - Território das escolas
JACIRA FAGUNDES
DIA 04/11 - 19 h - Mania de gavetas (autógrafos) - Memorial do RS -
DIA 11/11 - 17h - Bruxalisa e Lagartixa - Ducha das letras
sábado, 30 de outubro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Convites de Confrades
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Notícias da Reinações
Pessoal,
1. Dia 19.10, com coordenação da MARIA DA GRAÇA ARTIOLLI, estaremos realizando nosso 42º Encontro da REINAÇÕES, com o livro LIS NO PEITO, O LIVRO QUE PEDE PERDÃO, de JORGE MIGUEL MARINHO, vencedor de inúmeros prêmios.
2. Em anexo segue convite enviado pela confrade-fundadora ELAINE MARITZA para bate-papo com ROSANA RIOS, autora de A VOLTA AO MUNDO EM 80 MITOS. Para quem curte mitologia, é um momento raro.
3. E em homenagem àqueles que jamais deixaram morrer a criança que vive neles, que são seres de fantasia, que acreditam no sonho, que não deixaram o coração secar ou congelar pelas adversidades do cotidiano da vida adulta, ofereço a canção (quase hino) de Toquinho: Aquarela! Clique aqui e receba seu presente: http://www.youtube.com/watch?v=UjRwuGsugdE&a=GxdCwVVULXec_SHsp23BoWGtnZFd-qpv&list=ML&playnext=1
1. Dia 19.10, com coordenação da MARIA DA GRAÇA ARTIOLLI, estaremos realizando nosso 42º Encontro da REINAÇÕES, com o livro LIS NO PEITO, O LIVRO QUE PEDE PERDÃO, de JORGE MIGUEL MARINHO, vencedor de inúmeros prêmios.
2. Em anexo segue convite enviado pela confrade-fundadora ELAINE MARITZA para bate-papo com ROSANA RIOS, autora de A VOLTA AO MUNDO EM 80 MITOS. Para quem curte mitologia, é um momento raro.
3. E em homenagem àqueles que jamais deixaram morrer a criança que vive neles, que são seres de fantasia, que acreditam no sonho, que não deixaram o coração secar ou congelar pelas adversidades do cotidiano da vida adulta, ofereço a canção (quase hino) de Toquinho: Aquarela! Clique aqui e receba seu presente: http://www.youtube.com/watch?v=UjRwuGsugdE&a=GxdCwVVULXec_SHsp23BoWGtnZFd-qpv&list=ML&playnext=1
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
terça-feira, 5 de outubro de 2010
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Dupla de peso: Marô e Helô
Abaixo, convite para o lançamento do livro em parceria de duas confrades nossas: a Helô Bacichette (Reinações-Caxias) e a Marô Barbieri (Reinações-PoA). E a edição é bilíngue! Haverá lançamento no Uruguai e no Brasil. Sucesso, meninas! A Reinações saúda vocês!
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