domingo, 11 de setembro de 2011

Palavra de Confrade 17: Liza Caldeira




Liza Caldeira é professora de educação infantil, contadora de história, além de participar como palestrante em cursos e seminários de capacitação de professores para o trabalho com literatura.



1.Em que aspectos, na sua opinião, a literatura infanto-juvenil reina?
A literatura infanto-juvenil sempre traz o frescor, a ousadia, a insegurança, a paixão, a esperança, sentimentos tão próprios da juventude. Através dela, temos a oportunidade de nos reencontrarmos com uma parte de nós que aprendemos a domesticar com o passar do tempo. Ler textos infanto-juvenis é revigorar-se e mergulhar fundo dentro de nós mesmos, e é neste aspecto, no encontro com nosso espírito jovem, que reina, na minha opinião, esta categoria da literatura.


2. Dos 51 encontros que a Confraria Reinações promoveu, qual foi mais marcante para você? Por quê?

Foram tantos momentos maravilhosos que fica difícil escolher o melhor, no entanto, recentemente o encontro que mais me marcou foi sobre o livro Coração de Tinta, de Cornélia Funke. A história, além de ser muito interessante e bonita, revela o mundo do escritor e do leitor apaixonado e estes pontos foram muito explorados na nossa conversa neste encontro. Todos participaram muito da discussão, o que enriqueceu demais a nossa noite. E não posso deixar de destacar o primeiro encontro do qual participei durante a Feira do Livro de Porto Alegre em 2009, quando esteve presente o escritor Pedro Bandeira que aplaudiu e reverenciou a Confraria pela iniciativa. Naquele dia, quis fazer parte deste grupo e me sinto honrada em partilhar momentos incríveis com pessoas tão especiais.

3. Hoje percebe-se que a escola tem fundamental importância na formação do leitor, visto que os espaços de leitura e de contação de histórias na família são reduzidos. Na sua opinião, que tipo de livros deveriam ter espaço na escola, a fim de formar leitores qualificados?
Todo o tipo de livro, atuais e clássicos de todos os gêneros. As bibliotecas deveriam ser bem recheadas de literatura com muita qualidade em texto, imagem e material. Muitas escolas não possuem uma biblioteca, porém esta não pode ser a desculpa para não trabalhar com literatura, tudo pode começar com uma caixa ou prateleira dentro da sala de aula. No entanto, antes de chegar ao aluno e para que o material oferecido seja realmente de qualidade, haverá que ter um educador apaixonado pela leitura e bem informado. A formação do leitor crítico deve alcançar a equipe que vai trabalhar com os jovens, senão a biblioteca estará vazia, ainda que possua o melhor acervo. Dentro da escola é o educador que planta esta semente.



4. Como professora e contadora de histórias, você acredita que existe ainda certo preconceito em relação a alguns temas, quando se pensa a literatura que será oferecida para a criança na escola? Na sua opinião, é preciso preservar a infância de temas menos nobres? Por quê?
Vejo que não é exatamente um preconceito com relação aos temas, mas sim um despreparo, falta de conhecimento sobre literatura por parte das pessoas que selecionam o que vai ser oferecido aos alunos. A escola ainda pensa na literatura como algo que deve servir para ensinar certo conteúdo, ajudar na resolução de conflitos. Livros que abordam a morte e o medo são temidos na Educação Infantil, assim como os textos mais longos e a poesia. A maioria dos educadores, acreditam que a criança só gosta do que é bem simplificado e explicadinho. Ao contrário, a criança é inteligente e sensível, com uma capacidade de interpretação que vai muito além do olhar superficial do adulto. Selecionar certo tema para a sala de aula que seja encantador e produtivo ao mesmo tempo, vai depender da prática, do envolvimento que o grupo tem com a leitura. Neste ponto é que entra o conhecimento do adulto a respeito das técnicas para a contação de história e a capacidade de escolher bons textos.



5 . A confraria da Leitura chegou ao encontro 50. Foram 50 meses ininterruptos de discussão sobre LIJ. A que, na sua opinião, se deve o sucesso da Reinações?
O que me deixou muito a vontade nos encontros da confraria, desde o início, é a forma como todos os participantes são respeitados em seus pontos de vista e tem espaço para colocar as suas ideias. Todas as leituras feitas e as discussões, foram muito importantes, abrindo novos caminhos imaginários, críticos, para todos da confraria, mas sem dúvida é o clima descontraído e comprometido com a leitura de qualidade que fazem o seu sucesso.

6. Que dica de leitura você daria aos confrades da Reinações? Por quê?
Drácula, de Bram Stoker, já que estamos próximos da Feira do Livro de Porto Alegre, vale a pena entregar-se a este clássico do horror.
Medieval, envolvente, fantástico, estou lendo e amando A Guerra dos Tronos – As crônicas de gelo e fogo, de George R. R. Martin, para quem gosta de dragões, lobos, reis e rainhas.
E um infantil não poderia faltar. Recomendo um livro surpreendente e engraçado com ilustrações estranhas e belas: Os Lobos dentro das paredes, de Neil Gaiman e Dave McKean.

6 . Que palavra de Confrade você gostaria de conhecer mais?
Gostaria de saber um pouco mais o que pensa a confrade Rosinaura Barros.

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