domingo, 12 de fevereiro de 2012

Um canto de amor aos livros

No Facebook, encontrei a sugestão da escritora Anna Cláudia Ramos: um curtametragem que é um canto de amor ao mágico poder que os livros contêm.
Acesse:
http://http://www.youtube.com/watch?v=eHxebCIXavw&feature=player_embedded

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

sábado, 15 de outubro de 2011

Mergulho no Barril, por João Carlos Rodrigues

UM BARRIL DE RISADAS UM VALE DE LÁGRIMAS*, de Jules Feiffer

Um mundo mágico, percorrido em 30 anos, com coordenadas do sábio J. Imago Mago e com dicas da feiticeira Colombina Cristalina, na parte final. Três personagens perpassam a fabulação: a intuição do sábio Mago; as peraltices de Tom; e a luta de Roger pela construção de sua identidade.
Linhas paralelas se trançam entre as pontas do início e do fim da história: um reinado em cada extremidade. No início, o simplório rei Dedilzifidicer, com seu ‘cumequechama’ de 8 km, uma rainha engolida em trajes de banho por uma baleia e um príncipe sem juízo; no final, um rei durão, cuja rainha dá à luz uma princesa estonteantemente linda, que petrifica seus pretendentes. O príncipe protagoniza sua busca, embora não saiba qual é, para no final encontrar a bela princesa e receber dela o Beijo da Vida.

Recursos inusitados do autor vão sendo apresentados desde o começo do trabalho: em interlocução com o leitor - no capítulo 5 em especial - confessa perder o controle sobre o personagem Jack, que mudou de nome, saiu do livro e a ele voltou, além de entrar noutros livros
e deles sair, em razão de seu tédio. A intuição do bruxo traçou linha invisível para Roger, pois o sábio visualizou a gravidade do problema do menino que fazia todo mundo rir e que todo mundo o fazia rir. “Você só tem ossos engraçados. E um príncipe sem algum osso que não seja engraçado não está em condições de ser rei, de ser um pai ... um adulto, sequer. Você não está preparado, talvez nunca fique preparado para assumir os deveres, as obrigações e responsabilidades que o esperam mais adiante.” O sábio resolveu enviá-lo ‘numa busca’ que lhe oferecesse ‘Exxxperiêêêêêêência!’, e para tanto lhe deu um saco de Pó Mágico. Nessa busca, ele deveria passar por cenários errantes e provas cruéis
Assim, Roger sai para a sua busca e, para não provocar riso em quem está a 500 m, usa o pó mágico, que o transforma em margarida, vaca, cobra, cadeira, peixe, pássaro, ... e vai fazendo amigos, entre eles o caçador Tom, que entra e sai da história como quer. A amizade com Tom, todavia, chega ao fim e traz dificuldades. Aliás, muitas dificuldades: para sair da Floresta Para Sempre, Roger o faz de costas e alcança luz intensa, sobre rochedos infindos. Cai e fica preso na parede de um penhasco, quando aparece Lady Sarita, que perdeu seu colar, o qual fica preso em Roger. Pela primeira vez, a fim de devolver o colar, ele negocia e salva sua vida. Com ‘armadilhas
enfileiradas’, Roger pensa em si, negocia, toma decisão, pensa nos outros com força de vontade, passa fome, come pedra, passa vergonha, cria planos, luta durante 30 anos, ama Sarita e ‘sem prestar para nada, fica capaz de tudo’, diz a feiticeira.
O cenário, composto por Floresta Para Sempre, Divisa Perversa, Vale da Vingança, Mar de Gritos e Montanha de Más Intenções, põe Roger num palco giratório e, na figura de uma águia, sente-se disposto a salvar crianças, amigos, para enfim conquistar o Beijo da Vida da princesa Petúlia e o amor de Lady Sarita. Símbolos densos ( pó branco, pedra, carvalho, reinados/poder, colar ...) criam UM BARRIL DE RISADAS do príncipe e UM VALE DE LÁGRIMAS da princesa apaixonada agora por um imenso Gigante. A partir de suas jornadas e buscas, ambos se libertam das maldições: provocar riso e petrificar pessoas.
* texto de João Carlos Alves Rodrigues

54º Encontro da Reinações

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Vencedores do 1º Concurso Literário ASSOMBROS JUVENIS

1º CONCURSO ASSOMBROS JUVENIS

Confraria REINAÇÕES e CRL: Câmara Rio-Grandense do Livro

Apoio: CORAG

TEXTOS VENCEDORES

Lenda urbana, de Aline Cristian Cruz Silva – Cachoeirinha-RS


O espelho, de Cíntia Perin Chesini – Porto Alegre-RS


Mesa para dois (Outra que não eu), de Cláudia de Andrade Aurélio Curcio – Sapucaia do Sul-RS


Vestígios do fantástico, de Cleo de Oliveira – Novo Hamburgo-RS


Os zumbis devoraram nossos pais, de Daniel Gruber – Novo Hamburgo-RS


A viagem, de Dirlene Maria Bueno Marimon – Porto Alegre-RS


O livro (macabro) dos desejos, de Gabriela Zang Braun – Nova Petrópolis-RS


Retrato de família, de Lúcio Flávio Pretto – Porto Alegre-RS


A casa da colina, de Rodrigo Barcellos – Porto Alegre-RS


O casebre, de Sara Maria Binatti dos Anjos – Porto Alegre-RS



O 1º Concurso Assombros Juvenis é uma iniciativa da REINAÇÕES: Confraria da Leitura de textos infanto-juvenis e da CRL: Câmara Rio-Grandese do Livro, com apoio da CORAG, que visa estimular a escrita de textos infanto-juvenis.


O júri foi composto por Dilan Camargo, escritor, Elaine Maritza da Silveira, editora, e Liza Caldeira, professora e contadora de histórias, sob a coordenação de Caio Riter, escritor.

Obs.: A listagem acima foi organizada em ordem alfabética pelo nome do autor.

domingo, 11 de setembro de 2011

Palavra de Confrade 17: Liza Caldeira




Liza Caldeira é professora de educação infantil, contadora de história, além de participar como palestrante em cursos e seminários de capacitação de professores para o trabalho com literatura.



1.Em que aspectos, na sua opinião, a literatura infanto-juvenil reina?
A literatura infanto-juvenil sempre traz o frescor, a ousadia, a insegurança, a paixão, a esperança, sentimentos tão próprios da juventude. Através dela, temos a oportunidade de nos reencontrarmos com uma parte de nós que aprendemos a domesticar com o passar do tempo. Ler textos infanto-juvenis é revigorar-se e mergulhar fundo dentro de nós mesmos, e é neste aspecto, no encontro com nosso espírito jovem, que reina, na minha opinião, esta categoria da literatura.


2. Dos 51 encontros que a Confraria Reinações promoveu, qual foi mais marcante para você? Por quê?

Foram tantos momentos maravilhosos que fica difícil escolher o melhor, no entanto, recentemente o encontro que mais me marcou foi sobre o livro Coração de Tinta, de Cornélia Funke. A história, além de ser muito interessante e bonita, revela o mundo do escritor e do leitor apaixonado e estes pontos foram muito explorados na nossa conversa neste encontro. Todos participaram muito da discussão, o que enriqueceu demais a nossa noite. E não posso deixar de destacar o primeiro encontro do qual participei durante a Feira do Livro de Porto Alegre em 2009, quando esteve presente o escritor Pedro Bandeira que aplaudiu e reverenciou a Confraria pela iniciativa. Naquele dia, quis fazer parte deste grupo e me sinto honrada em partilhar momentos incríveis com pessoas tão especiais.

3. Hoje percebe-se que a escola tem fundamental importância na formação do leitor, visto que os espaços de leitura e de contação de histórias na família são reduzidos. Na sua opinião, que tipo de livros deveriam ter espaço na escola, a fim de formar leitores qualificados?
Todo o tipo de livro, atuais e clássicos de todos os gêneros. As bibliotecas deveriam ser bem recheadas de literatura com muita qualidade em texto, imagem e material. Muitas escolas não possuem uma biblioteca, porém esta não pode ser a desculpa para não trabalhar com literatura, tudo pode começar com uma caixa ou prateleira dentro da sala de aula. No entanto, antes de chegar ao aluno e para que o material oferecido seja realmente de qualidade, haverá que ter um educador apaixonado pela leitura e bem informado. A formação do leitor crítico deve alcançar a equipe que vai trabalhar com os jovens, senão a biblioteca estará vazia, ainda que possua o melhor acervo. Dentro da escola é o educador que planta esta semente.



4. Como professora e contadora de histórias, você acredita que existe ainda certo preconceito em relação a alguns temas, quando se pensa a literatura que será oferecida para a criança na escola? Na sua opinião, é preciso preservar a infância de temas menos nobres? Por quê?
Vejo que não é exatamente um preconceito com relação aos temas, mas sim um despreparo, falta de conhecimento sobre literatura por parte das pessoas que selecionam o que vai ser oferecido aos alunos. A escola ainda pensa na literatura como algo que deve servir para ensinar certo conteúdo, ajudar na resolução de conflitos. Livros que abordam a morte e o medo são temidos na Educação Infantil, assim como os textos mais longos e a poesia. A maioria dos educadores, acreditam que a criança só gosta do que é bem simplificado e explicadinho. Ao contrário, a criança é inteligente e sensível, com uma capacidade de interpretação que vai muito além do olhar superficial do adulto. Selecionar certo tema para a sala de aula que seja encantador e produtivo ao mesmo tempo, vai depender da prática, do envolvimento que o grupo tem com a leitura. Neste ponto é que entra o conhecimento do adulto a respeito das técnicas para a contação de história e a capacidade de escolher bons textos.



5 . A confraria da Leitura chegou ao encontro 50. Foram 50 meses ininterruptos de discussão sobre LIJ. A que, na sua opinião, se deve o sucesso da Reinações?
O que me deixou muito a vontade nos encontros da confraria, desde o início, é a forma como todos os participantes são respeitados em seus pontos de vista e tem espaço para colocar as suas ideias. Todas as leituras feitas e as discussões, foram muito importantes, abrindo novos caminhos imaginários, críticos, para todos da confraria, mas sem dúvida é o clima descontraído e comprometido com a leitura de qualidade que fazem o seu sucesso.

6. Que dica de leitura você daria aos confrades da Reinações? Por quê?
Drácula, de Bram Stoker, já que estamos próximos da Feira do Livro de Porto Alegre, vale a pena entregar-se a este clássico do horror.
Medieval, envolvente, fantástico, estou lendo e amando A Guerra dos Tronos – As crônicas de gelo e fogo, de George R. R. Martin, para quem gosta de dragões, lobos, reis e rainhas.
E um infantil não poderia faltar. Recomendo um livro surpreendente e engraçado com ilustrações estranhas e belas: Os Lobos dentro das paredes, de Neil Gaiman e Dave McKean.

6 . Que palavra de Confrade você gostaria de conhecer mais?
Gostaria de saber um pouco mais o que pensa a confrade Rosinaura Barros.