terça-feira, 28 de julho de 2009

Laura Castilhos em oficina no Divulga Leitura 2


A confrade Laura Castilhos, que já ilustrou vários livros, estará no dia 05/08 ministrando oficina de ilustração. Bom momento para descobrir alguns segredos do ilustrar para crianças, além de poder trocar ideias com alguns escritores e ilustradores da Artes e Ofícios. Alguns deles, nossos confrades.
Dia 05/08 às 18h
Local: Casarão Verde, av. Frederico Mentz, 1582

domingo, 26 de julho de 2009

1º Encontro Reinações-Caxias

No dia 22/julho, foi inaugurada a extensão da Reinações em Caxias do Sul. A cidade serrana recebeu alguns confrades-fundadores (Christian David, Elaine Maritza, Hermes Bernardi e Caio Riter), que, além de apresentarem um histórico da Reinações, participaram do debate que teve como tema o livro Meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos. A coordenação do encontro foi da confrade Helô Bacichette, que já havia participado da confraria em Porto Alegre, que levou a ideia para Caxias e foi a incentivadora do evento. O 1º encontro teve vários participantes, teve um clima bem bacana de troca de ideias (como os que ocorrem em Porto Alegre) e uma grande exposição na mídia. Mês que vem tem mais, como o livro O mistério das aranhas verdes, de Carlos Heitor Cony e Ana Lee. Abaixo algumas fotos da inauguração.
Helô coordenando o encontro em Caxias



A comitiva de Porto Alegre e a coordenadora do encontro



Cenas do 1º encontro da Reinações-Caxias








(Fotos: Adriana Sirena, Setor de comunicação da Biblioteca Pública Municipal Dr. Demetrio Niederauer)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Levitan convida...

Queridos amigos,
É com satisfação que comunico a todos que a IQC RECORDS* está lancando o novo cd do LEVITAN E OS TRIPULANTES, "o outro lado b", nesse domingo em Londres no GARDEN OF LUCAS FLAT (trocando em miúdos, no pátio da casa do Lucas em Londres!) com direito a um pocket show com metade da banda e uma festa entre amigos! Quem estiver por aqui, será bem-vindo.
Aos demais, por poder compartilhar essa alegria,
obrigado e um grande abraco do amigo Claudio Levitan


* IQC Records (Independente de Qualquer Coisa Records)

domingo, 19 de julho de 2009

Palavra de Confrade 4 - Jacira Fagundes

O Palavra de Confrade é com Jacira Fagundes. Escritora de livros para crianças e para adultos, Jacira tem sido uma participante bastante efetiva da Reinações, participando dos debates ou coordenando discussões, como a sobre Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles. Entre as obras de Jacira, destaca-se O menino do livro. Abaixo, algumas reflexões de Jacira sobre a escrita e a leitura

1.Para você, em que aspectos a literatura feita pra crianças e adolescentes reina?
Reina no aspecto lúdico, nas inúmeras e diferentes possibilidades de brincadeiras e de fantasia. Reina no poder do imaginário, do faz-de-conta, daquilo que, não sendo a verdade, poderia vir a ser. E reina no aspecto formativo, na direção do ler e pensar, dialogando com o ser criança e o ser adolescente num processo contínuo de viver e reinventar o mundo.


2.Qual o encontro da Reinações que mais marcou sua história de leitor? Por quê?
O encontro realizado na última Feira do Livro de Porto Alegre em que se debateu o livro de Astrid Lindgren, Pippi Meialonga. A personagem criada pela autora é de uma verdade e irrelevância que o leitor sente-se fascinado. O encantamento da história, a riqueza da personagem, o debate concorrido, platéia participante e o ambiente dos mais propícios para a magia das histórias concorreram para o sucesso do encontro.


3.Há diferença entre escrever para crianças e para adultos?
Um pouco, talvez. Considero este, um trânsito desafiador, porém de acesso tranquilo. O adulto é meu espelho com todas (ou muitas delas) contradições e questionamentos. Escrever para este adulto é um falar para dentro num olhar adquirido através do tempo, um olhar íntimo, conhecido. A criança é minha fantasia, a esperança que nunca acaba, a possibilidade nunca tardia. Assim, a consciência da realidade, o sonho e a magia se fundem numa mesma escrita para o pequeno leitor e para o leitor adulto. São os mesmos olhares. Diferentes, suponho, apenas a linguagem e a forma de tocar os sentidos de um e de outro. Uma alternância que me dá maior amplidão de mundo.

4.Como se dá o processo criativo para você em geral? Você se considera uma escritora inspirada ou uma escritora artesã?
Mais uma escritora artesã. Escrevo com disciplina, leio como hábito e também como exercício de escrita, coloco ideias no papel que vão se estruturando, tomando forma ao longo do processo. Então costuma acontecer do inconsciente se pronunciar, geralmente em períodos de repouso, me trazendo algo que chega com força e promete ficar uma cena, uma ideia, enfim, um direcionamento. Alicerçado o cenário, os personagens se configuram e a narrativa tem seu começo.


5.Deixe aqui uma dica de leitura para os confrades. Não se esqueça de fazer um comentariozinho sobre ela.
Indico para os confrades a leitura que me foi decisiva na opção de escrever para crianças. Transplante de menina, de Tatiana Belinky, é um livro que encanta porque cria, com humor e sensibilidade, o universo da infância e adolescência da autora. Não se trata de uma obra biográfica, é mais o resgate da memória de uma época. É um texto belíssimo, que faz do leitor um aliado nas vivências e aventuras da menina Tatiana. Um livro para grandes e pequenos.


6.Que Palavra de confrade você gostaria de conhecer?
Gostaria muito de conhecer a palavra da confrade Laura Castilhos.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Blog da Feira de Picada Café

Abaixo, recado da confrade Nóia Kern, uma das coordenadoras da 9ª Feira do Livro de Picada Café:

Olá,
criamos um blog da feira do livro de Picada Café.
Se vocês quiserem postar comentários seria "tri-legal".
endereço:

www.leituraempicadacafe.blogspot.com/
outra possibilidade: pelo google: picada café. Aparecerá o site da cidade e dento do site está o blog
Abraços
noiak

27ª REINAÇÕES: MEU PÉ DE LARANJA LIMA





Dia 21, nos reunimos novamente. O 27º Encontro desta ideia que tem dado certo e que tem reunido pessoas interessadas em conversar sobre LIJ. Ideia tão acertada que já começa a dar frutos, estendendo-se para Caxias, que, no dia 22, terá seu 1º Encontro, fundando a Reinações-Caxias.
E ambos encontros serão com o livro Meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vaconcelos, um clássico, quando se pensa a literatura feita para crianças no Brasil. Mergulho com nostalgia, neste livro que marcou minha infância, através de suas páginas, e das adaptações para cinema e tevê. Até novela virou.

Abaixo, uma galeria de fotos:

José Mauro de Vaconcelos
Capa da 1ª edição

Elenco da novela "Meu pé de laranja lima"

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A confraria expande suas reflexões

Num encontro que tive, acho que lá por fins de maio, com a escritora e confrade Helô Bacichette, deu início à ideia de criarmos uma extensão da Reinações na cidade de Caxias, município que é grande promotor da leitura, que tem projetos interessantíssimo, uma Feira do livro legal, escritores, editoras, contadores de histórias, enfim.
Pois a Helô abraçou a ideia, buscou parceiros, e no dia 22 de julho será realizado o primeiro encontro da Reinações-Caxias. Não é fazer o encontro lá; não, é mais que isso. É formar na cidade um grupo atuante como o de Porto Alegre, que tenha sua independência, mas que ao mesmo tempo mantenha a mesma identidade original. Assim, a ideia é que os mesmos textos sejam debatidos no mesmo dia e horário.
O primeiro encontro será em dia diferente, a fim de que alguns confrades de PoA, que queiram participar deste encontro inaugural, possam subir a serra. Alguns já disserem sim. Que outros possam dizer também. É a Reinações ganhando novos espaços e novos corações. Isso é dez! A Literatura Infanto-juvenil fazendo acontecer.
Valeu, Helô!

Confrades se entrevistam...

Dia destes, visitei o blog da aeilij e encontrei uma entrevista dupla, projeto interessante, bolado pelo Hermes Bernardi Jr (também confrade), do qual já fiz parte, que visa a explorar as ideias dos escritores sobre seus livros, sua criação e outros tantos. Pois o Vice-Versa de julho é com o Christian David e a Jacira Fagundes. O endereço segue embaixo. Visitem.

http://aeilijrs.blogspot.com/2009/07/vice-versa-de-julho.html

quinta-feira, 4 de junho de 2009

O direito de brincar, por Dilan Camargo

Abaixo segue artigo escrito pelo Confrade Dilan Camargo que foi publicado na ZH. Vale a pena ler e opinar no site.

TEMA PARA DEBATE
O direito de brincar, por Dilan Camargo*

O ato de brincar é o momento feliz em que toda criança se cria e se recria para a vida. Ato capaz de determinar o futuro adulto em que ela vai se tornar. Sem ter, na infância, o direito de brincar, ela vai perder, para toda a vida, uma das mais fecundas experiências de civilização e humanidade. As brincadeiras, os jogos, a convivência com outras crianças durante a infância, são fundamentais para a formação de um ser humano equilibrado e feliz. A coisa mais séria que uma criança pode fazer é brincar. Quando brinca, a criança inventa mundos e o seu mundo muito pessoal. Este novo ser, este novo mundo, de uma nova pessoa em crescimento físico, afetivo e intelectual, precisa ser preservado e respeitado pelos adultos.
Infelizmente, a infância está sendo invadida, violada, por um mundo adulto artificializado pela sociedade consumista e sexista. A sociedade está negando às crianças o seu direito de simplesmente brincar. São cada vez mais insuficientes os espaços e o tempo de que dispõem para brincar, brincar e brincar. Só isso. As crianças dos centros urbanos, principalmente, quase todas estão sendo sufocadas pela expansão imobiliária e pelas rotinas em ambientes impróprios para brincar e expandir sua alegria de viver e de descobrir o mundo. Muitas delas estão sendo submetidas, diariamente, de forma precoce, a um absurdo conjunto de rotinas que lhes são impostas pelas famílias e pela sociedade. As crianças estão sendo “treinadas”, adaptadas e “produzidas em série”, desde bebês, para serem unicamente indivíduos à imagem e semelhança do deus o Consumidor. A infância tem a sua própria dimensão poética e não pode ser contaminada e desperdiçada pela “felicidade infeliz”, que já desgraça e empobrece a vida de tantos adultos seduzidos por um consumo pelo consumo, reduzido a um “ter” que sempre precisa “ter” mais.
Passeio de criança é no shopping e não na praça ou no parque. Nossas crianças passam cerca de quatro a cinco horas vendo a “maravilhosa” programação deseducativa da maioria dos canais da televisão brasileira. Vão formando, assim, a sua visão de mundo, manipuladas por uma publicidade idiotizante e erotizada, voltada para o consumo sem necessidade. Aprendem o pior da sociedade de consumo, sendo levadas a acreditar que vale mais ter sempre a Coisa e o Objeto mais novos. Perdem a consciência do seu próprio Eu, tornando-se indivíduos indiferenciados, formatados num único padrão de sonhar e viver. Mais “tão” do que “são”.
Crianças são vestidas como adultos, dançam como adultos, ouvem e cantam músicas de adultos, principalmente aquelas de conteúdo vulgar e de melodias extremamente primárias. Crianças consomem como adultos, veem programas de adultos na televisão. As meninas, de modo particular, são induzidas a exibir uma sensualidade precoce. Nem o recreio, em muitas escolas, tem efetivamente o sentido de brincRIar e de recRIar-se. De brincar e de rir o riso fácil, alegre, pleno de vida, que só uma criança consegue extrair da sua alma inocente.
Na era do computador, brincar não é mais uma vivência real. É virtual. Não há uma verdadeira socialização no ato de brincar, de se comunicar. Não há mais uma integração com a vida real, de brincar com amigos reais, de compartilhar a alegria da amizade. A infância não tem mais pátio. Tem unicamente uma tela iluminada, não pela luz do sol, mas pela luz artificial que muitas vezes projeta apenas sombras sobre suas vidas.
Na família, na escola, na sociedade, precisamos retomar os espaços e o sentido de brincar. E uma das experiências mais marcantes na vida de uma criança é o seu contato criativo com a Palavra. A descoberta da palavra escrita e cantada. O livro precisa ser uma presença viva na infância. Principalmente os livros de poesia. De poesia? Isso surpreende aquela mãe ou pai que não tiveram a oportunidade de um contato com a Palavra poetizada. Sim, da poesia, bem escolhida. Através da poesia, do jogo de palavras, rimas e aliterações, os pequenos-grandes leitores podem experienciar uma das melhores brincadeiras da infância: a brincadeira de descobrir os sons e os sentidos das palavras. A leitura de poesia liberta e fortalece a capacidade de expressão e expande a personalidade infantil. “Tenho dito”, uma expressão antiga, é uma forma de dizer que exis to e que tenho o que dizer ao mundo.
Brincar com as palavras, no contexto da poesia, é um exercício de liberdade, de criatividade, de recriação da nossa imaginação, da nossa esperança, da nossa capacidade de reinventar nossa própria existência, de recriar nosso destino. Alimentando as nossas inteligências, racional e emocional, pela leitura, tornamo-nos donos da nossa consciência e protagonistas da nossa história. Quem lê cria a própria história!
É preciso aceitar o convite das crianças e da vida: vamos brincar?

*zerohora.com/24 de maio de 2009 N° 15979

terça-feira, 19 de maio de 2009

Caio à bolonhesa

O livro do nosso confrade Caio Riter, Meu pai não mora mais aqui (Biruta/2008) , após ser selecionado pelo PNBE, recebeu o selo Altamente Recomendável da FNLIJ e participou do Catálogo de Bolonha/2009, que divulga livros brasileiros na famosa e tradicional feira italiana.

O Caio é fogo.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Um Confrade no Catálogo de Bolonha


O mais recente livro do confrade Christian David, Mão Dupla, (Artes e Ofícios) foi selecionado pela FNLIJ — Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil — para integrar o catálogo produzido anualmente para a Feira de Bolonha 2009 — Bologna Children´s Book Fair 2009. Parabéns, Christian, tomara que ele siga traçando trajetória de sucesso junto à crítica e aos corações dos teus leitores.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Leitura nas ruas:mais que um trocado

Caros confrades,
abaixo, texto que imagino que vá interessar muitíssimo à Confraria (se é que já não sabem dessa "pesquisa").
Para quem não circula no trânsito da capital paulista, faz-se necessário explicar um detalhe: "a mercadoria pendurada no retrovisor". Os vendedores de sinaleira lá têm os produtos que estão vendendo acondicionados em umas "tripas" plásticas. Eles acomodam uma em cada retrovisor do lado do motorista, bem rápido, e depois refazem o mesmo itinerário - ou recolhendo o dinheiro de quem comprou ou recolhendo a mercadoria naquela tripa plástica. É jogo rápido, enquanto a sinaleira (o farol) está acesa (bem mais tempo que as nossas de POA) - é como largar um xale no encosto de uma cadeira.

Abraço a todos,
Beatriz




Vale mais que um trocado
Ambulantes, pedintes e moradores de rua não esperam só por dinheiro dos motoristas parados no sinal vermelho. Sem pagar pra ver, eu vi
Rodrigo Ratier (rodrigo.ratier@abril.com.br)



"Dinheiro eu não tenho, mas estou aqui com uma caixa cheia de livros. Quer um?" Repeti essa oferta a pedintes, artistas circenses e vendedores ambulantes, pessoas de todas as idades que fazem dos congestionamentos da cidade de São Paulo o cenário de seu ganha-pão. A ideia surgiu de uma combinação com os colegas de NOVA ESCOLA: em vez de dinheiro, eu ofereceria um livro a quem me abordasse - e conferiria as reações.

Para começar, acomodei 45 obras variadas - do clássico Auto da Barca do Inferno, escrito por Gil Vicente, ao infantil divertidíssimo Divina Albertina, da contemporânea Christine Davenier - em uma caixa de papelão no banco do carona de meu Palio preto. Tudo pronto, hora de rodar. Em 13 oferecimentos, nenhuma recusa. E houve gente que pediu mais.


Nas ruas, tem de tudo. Diferentemente do que se pode pensar, a maioria dessas pessoas tem, sim, alguma formação escolar. Uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, realizada só com moradores de rua e divulgada em 2008, revelou que apenas 15% nunca estudaram. Como 74% afirmam ter sido alfabetizados, não é exagero dizer que as vias públicas são um terreno fértil para a leitura. Notei até certa familiaridade com o tema. No primeiro dia, num cruzamento do Itaim, um bairro nobre, encontrei Vitor*, 20 anos, vendedor de balas. Assim que comecei a falar, ele projetou a cabeça para dentro do veículo e examinou o acervo:

- Tem aí algum do Sidney Sheldon? Era o que eu mais curtia quando estava na cadeia. Foi lá que aprendi a ler.

Na ausência do célebre novelista americano, o critério de seleção se tornou mais simples. Vitor pegou o exemplar mais grosso da caixa e aproveitou para escolher outro - "Esse do castelo, que deve ser de mistério" - para presentear a mulher que o esperava na calçada.

Aos poucos, fui percebendo que o público mais crítico era formado por jovens, como Micaela*, 15 anos. Ela é parte do contingente de 2 mil ambulantes que batem ponto nos semáforos da cidade, de acordo com números da prefeitura de São Paulo. Num domingo, enfrentava com paçocas a 1 real uma concorrência que apinhava todos os cruzamentos da avenida Tiradentes, no centro. Fiz a pergunta de sempre. E ela respondeu:

- Hum, depende do livro. Tem algum de literatura?, provocou, antes de se decidir por Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

As crianças faziam festa (um dado vergonhoso: segundo a Prefeitura, ainda existem 1,8 mil delas nas ruas de São Paulo). Por estarem sempre acompanhadas, minha coleção diminuía a cada um desses encontros do acaso. Érico*, 9 anos, chegou com ar desconfiado pelo lado do passageiro:

- Sabe ler?, perguntei.

- Não..., disse ele, enquanto olhava a caixa. Mas, já prevendo o que poderia ganhar, reformulou a resposta:

- Sim. Sei, sim.

- Em que ano você está?

- Na 4ª B. Tio, você pode dar um para mim e outros para meus amigos?, indagou, apontando para um menino e uma menina, que já se aproximavam.

Mas o problema, como canta Paulinho da Viola, é que o sinal ia abrir. O motorista do carro da frente, indiferente à corrida desenfreada do trio, arrancou pela avenida Brasil, levando embora a mercadoria pendurada no retrovisor.

Se no momento das entregas que eu realizava se misturavam humor, drama, aventura e certo suspense, observar a reação das pessoas depois de presenteadas era como reler um livro que fica mais saboroso a cada leitura. Esquina após esquina, o enredo se repetia: enquanto eu esperava o sinal abrir, adultos e crianças, sentados no meio-fio, folheavam páginas. Pareciam se esquecer dos produtos, dos malabares, do dinheiro...

- Ganhar um livro é sempre bem-vindo. A literatura é maravilhosa, explicou, com sensibilidade, um vendedor de raquetes que dão choques em insetos.

Quase chegando ao fim da jornada literária, conheci Maria*. Carregava a pequena Vitória*, 1 ano recém-completado, e cobiçava alguns trocados num canteiro da Zona Norte da cidade. Ganhou um livro infantil e agradeceu. Avancei dois quarteirões e fiz o retorno. Então, a vi novamente. Ela lia para a menininha no colo. Espremi os olhos para tentar ver seu semblante pelo retrovisor. Acho que sorria.

* os nomes foram trocados para preservar os personagens.

Fonte: http://revistaescola.abril.uol.com.br/gestao-escolar/diretor/vale-mais-trocado-432764.shtml

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Reinações na crônica de Diana Corso

Uma cidade de leitores

Porto Alegre, 12 de fevereiro, entardecer, sensação térmica 40 graus. Fui ao encontro achando que seria a única maluca interessada em debater “História sem Fim” numa livraria do Bom Fim (Letras & Cia). Não era o caso. O bando de doidos que se encontrou naquele dia chama-se Confraria Reinações e completaram dois anos disso: reunir-se mensalmente na livraria para trocar idéias sobre literatura infanto-juvenil. A cada encontro decide-se qual será o próximo livro a ser compartilhado. Lemos clássicos ou qualquer outro que se mostrar marcante para esse público. Entre os presentes há escritores, professores, editores, artistas, alguns têm seus livros publicados, mas todos estão lá na condição de leitores. A discussão pode atingir todos os níveis, há liberdade para dizer: “gostei”, ou “detestei”, “me irritou e parei de ler”, “ pulei partes chatas”, e assim por diante. É isso que faz o encanto dessa reunião, a leveza que permitiu que se continuasse trabalhando até no nosso fevereiro.
Porto Alegre, 23 de abril, Dia Internacional do Livro, outro bando se reúne para atravessar a noite lendo o mesmo calhamaço – no caso “Cem anos de Solidão” – as vozes se alternam, alguns passam, outros ficam até o fim da noite e da obra.
Porto Alegre, primavera de todos os anos, há mais de meio século. Nossa Feira do Livro transforma-se no lugar onde nos encontramos, nos divertimos, discutimos assuntos aleatórios, borboleteamos. Somos uma cidade de leitores. Não sei dizer números, comparar com outras capitais do país e do mundo, é só uma boa impressão.
Somos também uma cidade de autores, mas creio que a condição de leitores é decisiva. A experiência da Reinações, na qual adultos leem livros de criança, especialistas dão-se ao luxo de opinar como amadores, autores posicionam-se como meros leitores, é exemplar disso. A cultura adquirida por cada um de nós consiste na transmissão do acervo de narrativas, sons e imagens da humanidade, que, já disse o psicanalista inglês Winnicott: todos podemos usar se tivermos algum lugar onde colocar o que encontremos. Somos como uma obra aberta, na qual vão se acumulando elementos provenientes do acervo da humanidade. Ser leitores é mostrar que se tem lugar para colocar o que se absorve, para processar a experiência cultural, e isso faz de cada leitor um autor de sua própria história. Nossa cidade cria espaços para que cada vida seja uma leitura dr amática dos tantos textos a que tivemos acesso, com os quais vamos proseando pelo tempo que nos toca.
Diana Corso — Zero Hora, 29 de abril de 2009

Nosso Sarau

O 1º Sarau da Reinações, ocorrido no dia 25/04, foi um sucesso. Momento bacana em que escritores e leitores puderam ler fragmentos de textos e poemas feitos para crianças e adolescentes. Foram ao todo 34 participantes. Abaixo, o depoimento da escritora Valesca de Assis, que levou seu neto Antônio para curtir o momento litero-musical.

Caio, querido amigo,
foi um belo Sarau. Nos divertimos como crianças. Parabéns,
valeu uma vida ter aquelas crianças, grandes e pequenas, lendo histórias e poemas,
beijos a ti e aos teus.,
Valesca

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Isto e aquilo: poesia, dança e brincadeira

por Maira Knop

Ler Cecília é uma dança. Mas cuidado, sua poesia pode te levar a voar por aí. E isto é fato. Se for ler Ou isto ou aquilo, que seja em alto e bom som, que é para assim colorir a vida. Foi assim que li, como menina. E quando cheguei lá adiante, no finalzinho, fui voltando, voltando, recolhendo as letrinhas, devagarzinho até o início, quando reli tudo sorrindo novamente.
Palavra por palavra, a obra nos ensina, distrai e diverte com lindos poemas carregados de sonoridade e de imagens. Com o livro nas mãos e os olhos nos poemas, não há leitor que a alegria não visite. A obra agrada tanto aos pequenos quanto aos maiorzinhos com sua doce criatividade.
Ou isto, ou aquilo Jogo de bola Pescaria Uma palmada bem dada Os poemas, conjuntos estes de sonoras letras, sabem fazer uma energética batucada. O texto, o som, a alegria, o tom enchem de magia o mundo da leitura nessa obra consagrada.
POESIA sim, poesia com rimas, graça e leveza. Com ingênua transparência, Cecília faz-se especial pelo domínio de técnicas e por possuir uma jovial naturalidade expressa em seus 57 poemas espalhados em suas páginas. Tanto podem ser lidos na ordem em que foram escritos como também alternados, pois do mesmo modo divertem. Se optar por maior inventividade, poderá lê-los de baixo para cima, bem alto para brincar com a sonoridade. Sonhos, amor e amizade são alguns dos temas abordados sem, em momento algum, deixar de lado sua musicalidade. Contribui para engrandecer a obra as ilustrações da artista plástica argentina Beatriz Berman. Os desenhos passeiam nas páginas e de hora em hora vão dizendo: Quero te ouvir, quero te ouvir. Acompanhar esta aventura no país da Cecília é rever a nossa mãe, sentar no colo da tia, ou deitar-se sob almofadas naquele cantinho da sala ouvindo o barulhinho das letras. Em algumas passagens, o texto sobrepõe-se às imagens restando apenas visíveis parte delas, como no poema "A língua do Nhem" em que, logo abaixo do texto, vê-se as patas dos animais que decoram a paisagem. Flutua-se lendo "Bolhas", da mesma forma que lambuzamo-nos lendo "Tanta Tinta".
A autora antes de aprender a ler, ao brincar com os livros, imaginava-os cheios de vozes; vozes estas presentes na composição de cada um de seus versos. Na obra, estão presentes vários personagens, ao todo 22, que brincam de ciranda com as poesias dando autenticidade à variedade dos temas. Na hora de conferir a gurizada, alguns tem que responder à chamada mais de uma vez, como a Arabela, a Carolina e o Raul, depois seguem a Maria, Mariana, a Marina, a Dulce, o Chico, a Pedrina; todos vão dando as mãos, fazendo roda com Olga, com Olívio e com Orfeu. E a Dalila anuncia: Eu li! E Célia, Lélia e Eulália complementam: Eu vi!
Como Quintana, Cecília emociona. Não deixe de brincar. Continue lendo...